Cresce incidência de câncer no Brasil
• INCA estima mais de 489 mil novos casos, em 2010
• A doença na tireoide é a que mais apresenta aumento nos últimos anos
• Os tumores de tireóide correspondem a 0,5% de incidência da moléstia na infância
São Paulo, 25 de fevereiro de 2010 – Estudos realizados pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer), e comprovados pelos vários Registros Populacionais de Câncer do País, apontam aumento na incidência do câncer no Brasil e o câncer da tireoide está na lista dos que mais cresceram nos últimos anos. Mais comum em mulheres, o câncer da tireoide é mais prevalente entre indivíduos acima de 45 anos. “Atualmente, são 12 casos de câncer da tireoide para cada 100 mil mulheres, e dois casos para cada 100 mil homens”, alerta Laura Sterian Ward, endocrinologista da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo).
A especialista ressalta que o panorama é similar no mundo inteiro. O serviço de estatística e epidemiologia dos Estados Unidos (SEER) considera que o câncer da tireoide é, juntamente com o melanoma maligno e o câncer de fígado, o tumor a qual incidência mais vem aumentando.
O aumento do câncer da tireoide pode ser comprovado, principalmente, devido ao melhor rastreamento da doença nodular por meio da ultrassonografia, portanto, se faz mais diagnósticos de nódulos malignos. Os fatores ambientais também contribuem para a incidência.
“Dados do mundo inteiro indicam que o crescimento do câncer na tireoide não se deve apenas ao escrutínio (rastreamento de casos por meio de ultrassonografia), já que estamos vendo aumento também do número de tumores grandes. Além disso, uma porção de fatores indutores de câncer vem sendo descritos, em particular, a radiação ionizante — a que nos submetemos cada vez mais por exames médicos, por usarmos energia nuclear, por fazermos viagens intercontinentais — e a ingestão de iodo, que vem aumentando no mundo todo à medida que aumenta o consumo de sal”, explica Laura Sterian Ward.
A endocrinologista, que também atua como Chefe do Laboratório de Genética Molecular do Câncer da FCM/Unicamp, faz parte de um grupo que estuda fatores relacionados ao metabolismo do estrógeno que, seguramente, ajudariam a entender porque o câncer da tireoide prefere as mulheres, embora evolua de forma mais agressiva nos homens, em geral. “Também mostramos que existe um perfil de risco para câncer dependente da herança de genes envolvidos na detoxificação de compostos carcinogênicos, isto é, de produtos químicos que ingerimos, inalamos ou acabamos entrando em contato pela pele, mucosas, e etc. Cada vez mais, comemos produtos industrializados, respiramos um ar mais poluído, usamos produtos de limpeza, cosméticos, aerossóis e uma série de compostos tóxicos”, explica a médica.
Câncer - tipos mais comuns
A médica explica, ainda, que os tipos de câncer mais frequentes na população são o de pele (não melanoma), o de próstata e o de mama feminina. Mas o câncer da tireoide ocupa o quinto lugar em incidência nas mulheres e é o 17º entre os homens.
Fatores de risco
Os fatores de risco para câncer diferenciado da tireoide são:
exposição à radiação ionizante (por exemplo: para tratar de linfoma no
pescoço); idade abaixo de 25 anos e acima de 60 anos;
história familiar de carcinoma de tireoide; nível de TSH (hormônio estimulante da tireoide) elevado; nódulo único que cresce rapidamente, que causa rouquidão; presença de gânglios no pescoço junto com o nódulo.
Estatísticas
No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima que haverá mais de 489 mil novos casos de câncer em 2010.
Segundo a endocrinologista Laura Sterian Ward, o grupo de estudo da Unicamp também investiga a relação entre obesidade, hormônios relacionados ao estado inflamatório associado à obesidade, e o câncer da tireoide. Dados preliminares sugerem que, tão importante quanto evitar ganhar peso, é manter o peso estável.
“Engordar é, portanto, fator de risco para câncer da tireoide e também para
vários outros tipos de câncer, em particular, do trato gastrointestinal,
mas também de mama, ovário e etc.
Câncer na infância
O aumento da incidência do câncer da tireoide também é crescente na população pediátrica. De acordo com o especialista Osmar Monte, da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo), nos Estados Unidos, a incidência é de um caso por milhão por ano. “Os pais devem ficar atentos sempre que houver aumento do volume da tireoide, em especial, se houver a presença de nódulo”, alerta.
O médico explica que os fatores de risco na infância se dão à radiação cervical prévia para tratamento de outras doenças e à história familiar de carcinoma de tireoide. “Não podemos nos esquecer que o carcinoma de tireoide na infância pode ser uma segunda neoplasia na infância. De um modo geral, os tumores de tireoide correspondem a 0,5% dos tumores da infância”, explica.
O endocrinologista ressalta que é possível tratar o câncer da tireoide na infância por meio de cirurgia, seguida da radioiodoterapia e a reposição hormonal adequada. “A evolução do carcinoma de tireoide na infância costuma ser melhor que no adulto, pois, na maioria das vezes, as crianças sobrevivem por mais anos”, conclui.
III Câncer da Tireoide International Meeting
O aumento da incidência do câncer da tireoide e carcinoma na infância serão temas apresentados pelos especialistas Laura Sterian Ward e Osmar Monte, durante o III Câncer da Tireoide International Meeting, encontro que será realizado nos próximos dias 27 e 28 de fevereiro, no Caesar Business São Paulo, em São Paulo (SP).
Confira a programação completa em:
http://www.cancerdatireoide.com.br/III/programacao.php
Serviço
Site SBEM-SP: www.sbemsp.org.br
Blog SBEM-SP: www.sbemsp.org.br/blog
Sobre a SBEM-SP
A SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo) pratica a defesa da Endocrinologia, em conjunto com outras entidades médicas, e oferece aos seus associados oportunidades de aprimoramento técnico e científico. Consciente de sua responsabilidade social, a SBEM-SP presta consultoria junto à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, no desenvolvimento de estratégias de atendimento e na padronização de procedimentos em Endocrinologia, e divulga ao público orientações básicas sobre as principais moléstias tratadas pelos endocrinologistas.
A SBEM-SP reúne mais de três mil associados, cerca de 25% dos médicos endocrinologistas vinculados à Sociedade no País.
Presta constantemente informações aos veículos de comunicação para levar ao conhecimento da população, em geral, o conceito e as formas de tratamento de doenças relacionadas à especialidade como: diabetes; obesidade; osteoporose; doenças da tireoide; hipertensão; distúrbios de crescimento; doenças do climatério, entre outras.
Atua fortemente na área da pesquisa, promovendo atualizações científicas, em eventos como o COPEM (Congresso Paulista de Endocrinolofia e Metabologia); CBAEM (Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia); BRADOO (Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo), entre outros.
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