Ainda em passos lentos, a medicina internacional investe em pesquisas para descobrir as alterações genéticas das pacientes com a Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Segundo José Antonio Miguel Marcondes, associado à SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - regional São Paulo), o ideal seria identificar a síndrome antes da menstruação, para que possa ser feito um tratamento precoce. “Há evidências que meninas que nascem com peso abaixo do normal e adolescentes com excesso de peso, estão no grupo de risco, mas ainda não é possível precisar se essas jovens terão a SOP”, afirma.
Especializado em síndromes hiperandrogênicas, com ênfase em síndrome dos ovários policísticos, forma não clássica de hiperplasia adrenal congênita e tumores ovarianos virilizantes, Marcondes, juntamente com Michelle Patrocíneo Rocha e Cristiano Barcellos, na época pós-graduandos do Serviço de Endocrinologia do HC, coordenou estudos para avaliar a presença de marcadores precoces de aterosclerose e alterações metabólicas em pacientes com a síndrome, em colaboração com o INCOR, considerando que existem dados que colocam a síndrome como um fator de risco cardiovascular. Por meio de um modelo estatístico apropriado, demonstrou-se que a alteração do metabolismo lipídico, no caso, a cinética dos quilomícrons artificiais, está alterada nas pacientes com a síndrome, independente da obesidade, e mesmo na ausência de fatores de risco cardiovascular. “Este resultado alerta que medidas preventivas com relação ao risco cardiovascular devem ser tomadas precocemente nas pacientes com a síndrome”, afirma. O trabalho foi publicado recentemente na revista americana Fertility & Sterility.
Dentro dessa mesma linha de distúrbios metabólicos e fatores de risco cardiovascular, Marcondes publicou trabalhos na Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, onde demonstra que alterações metabólicas e dos níveis da pressão arterial são frequentes em mulheres brasileiras com a SOP, com um efeito potencializador da obesidade. “É importante alertar que o Teste de Tolerância Oral à Glicose deve ser realizado em todas as pacientes com a síndrome, independente do índice de massa corporal”, afirma.
Com relação à forma não clássica de hiperplasia adrenal congênita, participou de estudos sobre aspectos moleculares da doença, tanto no Brasil como no exterior, através de um Grupo Multicêntrico Internacional. Resultante dessa colaboração internacional, foi possível estabelecer o risco de um recém nascido de uma mãe portadora da doença apresentar Hiperplasia Adrenal. “Esse risco é de aproximadamente 18%, segundo dados publicados no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism”, informa Marcondes.
Já dentro da linha de pesquisa sobre síndromes virilizantes, Marcondes destaca que a produção de andrógenos pelos tumores ovarianos virilizantes não se faz de maneira autônoma, mas sob o estímulo das gonadotrofi nas. “Hoje temos 11 pacientes com tumores virilizantes ovarianos, das quais apenas uma não suprimiu a produção de andrógenos, pela administração de análogos do GnRH”, explica.
Mais informações sobre inovações na área de Endocrinologia estão nos Informativos MaiSBEM, em: http://www.sbemsp.org.br/informativos.html
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