 Ele era um apaixonado pelo Brasil. Lévi-Strauss morreu no domingo, aos 100 anos, mas a notícia só foi divulgada ontem.
Para ele, a sociedade não estava dividida entre civilizados e não civilizados. Os estudos de Claude Lévi-Strauss foram a base do pensamento estruturalista e abalaram a ideia comum de que havia um abismo cultural entre os homens.
“Sim, diferentes. Mas jamais colocados numa categoria de inferior ou superior. Mais rico ou mais pobre. Simplesmente diferentes”, diz a professora de antropologia / PUC-SP Mariza Werneck
Claude Lévi-Strauss nasceu na Bélgica, mas foi na França que se tornou um dos maiores intelectuais do século 20. Um convite para trabalhar em São Paulo inspirou a vocação dele para a etnografia - o estudo descritivo das sociedades humanas.
No Brasil, ele deu aulas de sociologia entre 1935 e 1939 na recém fundada Universidade de São Paulo. O prédio fica na Rua Maria Antônia, no Centro da capital, onde hoje funciona um espaço de artes e exposições.
Teve condições para pesquisar. Estudou as tribos indígenas do Amazonas e de Mato Grosso. Foi com base nessas viagens que lançou, em 1955, o livro “Tristes trópicos”. De grande qualidade literária, a obra lhe deu acesso a um público mais amplo.
“É uma obra literária, inclusive, enfim, é um livro de viajante, de relatos, de se dar o direito e o prazer de descrever paisagens, sons, pássaros, relações, enfim, tem toda uma imagética da América do Sul que permitem que ele faça um relato literário. É o que dá a ele lá no fim da vida a entrada pra academia francesa de letras”, comenta a antropóloga Florência Ferrari.
Outras obras marcaram contribuíram também para a filosofia e a sociologia.
Lévi Strauss amava o Brasil. Por diversas vezes elogiou o país. Em um encontro com a pesquisadora Florência Ferrari autografou um livro e deu um conselho, quando ela disse que queria estudar antropologia.
“Ele então me disse: mas você quer fazer antropologia na França? E eu disse: não, não! eu vou voltar para o Brasil e vou fazer antropologia no Brasil. Ele me disse: ah, que bom! Se você fosse francesa, eu diria esqueça. Antropologia francesa acabou. Mas se é brasileira eu digo, continue. Hoje a antropologia do Brasil é uma antropologia de vanguarda; antropologia que está na vanguarda do mundo assim”, conta a antropóloga Florência Ferrari.
Fonte da matéria: Do G1, Globo.com, Bom Dia Brasil, em 04/11/2009 |